Pais e Filhos: Obrigação Constitucional x Realidade
Pais e Filhos: Obrigação Constitucional x Realidade
A Editora Abril divulgou no ano passado uma pesquisa da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que acessou dados de 176.245 adolescentes de 12 a 17 anos e de 180.459 adultos com 18 a 25 anos — isso no período entre 2005 e 2014. E o resultado foi preocupante: analisando as respostas de questionários ligados ao bem-estar psíquico, a taxa de jovens que reportaram ter sofrido algum episódio de depressão subiu 37%.
 
Aquele informativo divulgou que, Segundo Miguel Boarati, coordenador do Ambulatório de Transtornos Afetivos na Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas, em São Paulo, o panorama não é exclusividade dos americanos: “Temos notado uma busca acentuada de adolescentes por tratamentos em saúde mental”, afirma o especialista. “Mas não temos um estudo formal para confirmar isso, como nos Estados Unidos”, atesta.
 
Ainda mais sério do que os problemas que nosso país vive quanto à sua Política e Economia é o que está acontecendo dentro das casas dos Brasileiros. A juventude é o auge da esperança, momento da vida onde sonhamos, projetamos e começamos a realizar tudo isso. Mas, porque não tem sido assim para muitos? O que leva um adolescente a acordar pela madrugada para cumprir um desafio como o que está acontecendo com relação ao tal jogo da baleia azul? O que justifica o elevado grau de depressão no meio dessa galera? Por certo que essas perguntas possuem algumas respostas, mas quero enfatizar apenas uma delas.

Estabelece o art. 229 da Constituição Federal que “os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores (...)”. Trata-se de uma obrigação constitucional, presente também na legislação de diversos países, como na Constituição dos Estados Unidos e da Itália, bem como em normas de cunho internacional, como a Declaração Americana de Direitos Humanos, mas que, por mais estranho que possa parecer, pois deveria ser algo natural, não é o que vem acontecendo dentro das famílias brasileiras.

Estima-se que cerca de 90% dos adolescentes que estão envolvidos com esse jogo da baleia azul possuam algum tipo de carência em relação aos pais. Isso porque os pais ainda se esforçam para que os olhos de seus filhos notem a sua presença física, apenas.
Alguns pais não tem noção de como estão seus filhos emocionalmente, e isso é algo que vai se construindo ao longo dos anos até que gera consequências devastadoras. Objetivamente, pais que não brincam regularmente com seus filhos, que “não tem tempo” para ouvi-los com qualidade e aconselhá-los e, para piorar, pais que não são exemplo para seus filhos, exemplo de amor, de honestidade, de valorização da família, exemplo de carinho e respeito, e ainda contribuem, muitas vezes, com a construção do exercício da ilegalidade, quando, por exemplo, entregam a direção de um veículo para um filho menor, que não tem autorização legal para isso.

É preciso repensar... Como pai, tenho convicção da minha obrigação constitucional. Como pai, tenho convicção de que meu filho é mais importante para mim do que qualquer profissão, empresa, negócios, etc. Mas a minha convicção não é suficiente, ela não tocará meu filho. O que irá tocá-lo e fará total diferença em sua vida é o amor vivido com ele todos os dias.

Muitos filhos, crianças e adolescentes, vítimas da sua própria casa, estão “gritando em silêncio” que precisam de seus pais, mas estes vivem em absoluto ‘estado de desatenção’. É nesse momento que vem um jogo, um CyberBullying, um pedófilo, a solidão e outras coisas que contribuirão com o crescimento dos problemas relacionados aos menores e os levarão à desesperança.  
Infelizmente, ao que tudo indica, os índices da pesquisa citada no início tendem a aumentar. Por isso, pais, a batalha está apenas começando. Vamos a mais importante das lutas. Nossos filhos precisam sorrir, sonhar, planejar e, acima de tudo, viver. Eles precisam de nós.       
Ferreira, Marques & Louzich - Advogados Associados
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